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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018


Eu tenho que dormir. Eu tenho que dormir. E esse é o problema. Eu tenho que dormir porque tenho que acordar cedo, porque eu tenho que pegar um ônibus e chegar lá naquele lugar que eu me comprometi a ir, e se eu acordar meia hora mais tarde, eu perco o ônibus. Se eu perder o ônibus...

E isso sempre acontece. Sempre, sem exceção. É incrível. Eu tento dormir mais cedo, não adianta. E não adianta você falar pra eu não me preocupar, pra eu relaxar, pra eu contar carneirinhos, pra eu contar um pra quando eu inspiro e dois pra quando eu respiro, e voltar ao um de novo, e assim por diante, porque não vai adiantar. Estou te dizendo. Acredite em mim. Eu não tenho motivos para mentir pra você, seja lá quem você for.

Você provavelmente vai dizer que isso é bobagem, mas não é. Não pra mim. Não, eu não sofro de insônia, eu sou só um idiota com um relógio biológico interno desregulado, quebrado, estragado, parado, inexistente.

Ou, o que é ainda mais provável, você vai dizer que “olha só, isso acontece comigo também.” Não, isso não acontece com você. Esse, aliás, é o pior pensamento, a pior forma de se solidarizar com o meu caso. Na verdade eu não dou a mínima pro seu sono. Se você tem insônia, parabéns. Você toma uns remédios e apaga, ou você não quer tomar remédios, acha que eles te deixam estranho, ou sei lá o quê, aí então você merece ter insônia e ser um zumbi mesmo.

É, eu sou um zumbi. Eu sou o cara que não quer tomar remédios, mas não porque fico achando que “ai, comprimidos me deixam meio zonzos, eu não me sinto eu mesmo”, mas por que o meu terror é não conseguir acordar na hora no dia seguinte. E se eu não conseguir acordar na hora não porque eu fui dormir tarde, mas porque eu apaguei, aí eu vou passar o dia zonzo, me sentindo culpado, e—

Mas que merda. Todo dia é a mesma coisa. Todo dia a porra do meu cérebro acha que a melhor hora do dia pra ter ideias, uma atrás da outra, é às duas e meia da manhã. Não, duas e meia já passou faz tempo. Já passa das três da madrugada. E sabe o que vai acontecer? Eu vou acabar conseguindo dormir lá pras quatro, quatro e meia. Mais uma vez.
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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018



Conto de Gustavo do Carmo


Passava pela porta da igreja quando uma mendiga, suja e de cabelos desgrenhados, gritou com voz sôfrega:

— Moço, dá uma ajuda aí?

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domingo, 18 de fevereiro de 2018




Venho até nossos leitores do Tudo Cultural, anunciar que o próximo dia 27 de março (3ª feira) será realizado, no Rio de Janeiro, o X Concurso Brasileiro de Sommeliers. Ao qual pode interessar aqueles que acompanham por aqui o Roteiro do Vinho. Vale lembrar que o vencedor será um dos dois representantes brasileiros no Concurso Pan-americano de Sommeliers, a ser realizado em maio, no Canadá.

Inscrições abertas:

ABS-Rio: (21) 2285-0497 / 2265-2157 / 2421-9640 / abs@abs-rio.com.br
ABS-SP: (11) 3814 7853 / 3814 1269 / contato@abs-sp.com.br


                                       CURIOSIDADE

 Sommelier

 O sommelier é o especialista que trabalha em restaurantes, bares e lojas do setor. Geralmente, são responsáveis por todo o processo que envolva as bebidas, desde da compra e recebimento das mercadorias até a elaboração da carta. Possuem um conhecimento aprofundado sobre vinhos, cervejas e outras bebidas.

A profissão surgiu antes do século XVII, na França, e era o responsável por transportar o fermentado e, curiosamente, tinha a obrigação de provar o seu conteúdo, antes de servido, para comprovar que a bebida não havia sido envenenada. Tempos depois, a função mudou para o especialista que garante produtos de boa qualidade.

Hoje, uma de suas funções mais importantes é servir os vinhos aos clientes, esclarecendo dúvidas e dando informações sobre o exemplar que ele está consumindo.

Além disso, o sommelier planeja e organiza o serviço de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes, supermercados, enotecas e em comissariaria de companhias aéreas e marítimas. Também faz a gestão do abastecimento e armazenagem dos produtos. Esse profissional também ministra cursos para a formação de novos sommeliers.

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Por  dudu oliva




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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

de Miguel Angel (in memorian)


De idade indefinida, a pequena indígena, trazida pela mão da anciã, apareceu no estabelecimento e o unico traje que aparentava usar, era a negra cabeleira que se espargia nas espáduas cobrindo-a quase toda, permitindo entrever apenas o resto de poncho desgrenhado que vestia por baixo. À interrogação inevitável, a velha nativa lhe respondeu tratar-se de sua neta. E à socapa, avisou que o senhor da casa estava ciente. Neta de índia, sorrateira deve ser. Igual à avó. Concluiu Amanda, numa primeira suspeita malévola.

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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018


Eu estava sentado no banco de trás. Meu padrinho parou no sinal vermelho. Minha madrinha, no banco do passageiro, olhava no celular os horários para assistir ao filme. O primeiro 3D que veríamos.

Um homem veio em nossa direção.

Encostou-se à porta e perguntou ao meu padrinho se ele tinha uns trocados.

Eu fiquei observando. Olhei para os lados. Havia poucas pessoas no cruzamento. O homem estava mais para um mendigo/bêbado do que para um possível assaltante. Minha madrinha continuava a olhar o celular. Relaxei um pouco.

Humm, disse meu padrinho. Ficou olhando para o sujeito. Depois desviou o olhar para o farol. Ainda vermelho.

Voltou-se para o homem. Minha madrinha pôs o celular de lado e passou a observar a interação com mais atenção.

Mas olha, disse o homem, não vou mentir não, viu. É pra tomá umas pinguinha.

Ele já estava meio mamado. Embolava as palavras.

Ah, é mesmo? Meu padrinho deu uma risadinha e pegou duas moedas do console.

, ele disse ao entregar as moedas.

Ô, moço. Brigadão mesmo, Deus abençoe.

Ele falava com alegria. Havia ganhado o dia, de certo.

Meu padrinho acenou com a mão. O farol abriu.

Ele arrancou com o carro.

Nós rimos.

Pelo menos esse foi honesto, disse minha madrinha ou meu padrinho.

Não me lembro muito bem. Talvez ele não tenha dado moeda nenhuma para o bêbado.

Mas o homem foi honesto. Disso eu lembro.
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


Microcontos de Gustavo do Carmo


Carnavalesco
Fantasiava demais. Era carnavalesco.


Climão de carnaval
Entrou no climão de carnaval. Interveio na discussão do casal de namorados durante o desfile do bloco.
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domingo, 11 de fevereiro de 2018


 Você já deve ter perguntado há alguém, coisas do tipo, "o que eu sou para você?", e teve como resposta a palavra 'Tudo'.
 Confesso que é uma palavra que me incomoda e muito, pois, o que é o 'tudo' pra mim? - Não basta dizer que é apenas o contrário do nada, 'tudo' é uma palavra forte, porém desequilibrada, para mim, 'tudo' engloba coisas boas e ruins, ou seja, se a pessoa quis dizer que sou bom para ela, mas diz isso com a palavra 'tudo', para mim não é o suficiente!
 
  Pare para analisar, coisas ou fatos do seu dia a dia, ao qual poderia enquadrar esse perfil ao qual vos digo. A palavra 'tudo'.
  Não, eu não gosto desta palavra como resposta, seja lá qual for a pergunta, com ou sem sentimento. Não sinto que esta palavra demonstre 'carisma' em um diálogo entre um casal, amigos, ou até em momentos difíceis.
 
  A palavra 'tudo' no dicionário significa 'a totalidade das coisas, dos seres', 'o que de fato conta, o que é importante, essencial'.
  Mas não consigo imaginar algo que seja essencial, mas que seja um 'tudo'. Pois soa como bom e ruim ao mesmo tempo.
 
  Há algum tempo atrás, nosso patrão do 'Tudo Cultural', Gustavo, compartilhou uma leitura do livro 'A Teoria de Tudo'¹, ao qual retrata uma biografia e não algo filosófico a cerca de um 'tudo'.
  O nosso próprio espaço ao que vos escrevo, 'Tudo Cultural', trás esta desequilibrada, porém, forte palavra, o que é cultural por aqui? 'Tudo'! Vejam, que neste 'Tudo', englobam-se vários temas, desde um microconto a uma peça de teatro²...
 
  Particularmente nesta prosa, tenho a ousadia de querer saber de nossos leitores e colaboradores, o que significa a palavra 'Tudo' em sua vida?
  Assim como rotulei no início, como sentiria-se ao ouvir alguém dizer que você é 'tudo' para essa pessoa, ao questioná-la sobre o que você é para ela.




Links citados acima;
¹ post sobre o livro 'A Teoria de Tudo', http://tudocultural.blogspot.com.br/2015/11/tudo-na-cabeceira-o-que-eu-ja-li-teoria.html

² post da peça de teatro, 'A Família Drähm', http://tudocultural.blogspot.com.br/2013/07/a-familia-drahm.html 
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sábado, 10 de fevereiro de 2018


Por dudu oliva


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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018


João Paulo Mesquita Simões







No passado dia 21 de outubro, os CTT - Correios de Portugal, lançaram uma emissão conjunta entre Portugal e França.
Todos nós conhecemos a qualidade dos nossos selos, e o quanto são apreciados e desejados pelos quatro cantos do Mundo.
No entanto, ao olharmos para esta série de dois selos, reparamos em diversas diferenças:
O tamanho do selo que é mais comprido que os nossos, o desenho simétrico e a perspetiva, que em nada têm a ver com a beleza dos selos nacionais.
Tudo isto tem uma razão. Esta emissão foi feita em França!

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