quinta-feira, 16 de novembro de 2017


João Paulo Mesquita Simões










A Biblioteca Joanina foi construída entre os anos 1717 e 1728 e é um dos expoentes máximos do barroco português. O seu nome surge em honra e memória do Rei D. João V (1707-1750), que patrocinou a sua construção e cujo retrato, da autoria de Domenico Duprà (1725), ocupa um local de destaque no espaço.

Situa-se numa das universidades mais antigas da Europa, senão a mais antiga: a Universidade de Coimbra.

Para comemorar os seus 300 anos de existência, os CTT Correios de Portugal, emitiram dois selos, lançados em 25 de outubro, com os valores faciais de 0,50€ e uma tiragem de 125 000 exemplares e outro com o valor facial de 1,00€ e uma tiragem de 115 000 exemplares. Os selos têm o formato de 80 X 30,6 mm e o design esteve a cargo de B2 Design.

Um dos selos desta emissão mostra-nos diversos pormenores desta biblioteca da Universidade de Coimbra, entre eles: a vista geral da sala 2 da biblioteca (lado norte) através de uma fotografia de Paulo Mendes; uma Bíblia Hebraica, dita “Bíblia de Abravanel”, da segunda metade do século XV; a folha 6 (salmos iniciais), parte do acervo da Biblioteca Joanina; a bíblia “atlântica” do século XIII, num pormenor da folha 2 do Livro da Sabedoria; e uma carta de fidalguia manuscrita e iluminada do licenciado Prado de Vivar Vecino de Griñon, de 13 de agosto de 1569.
O outro selo apresenta a estante, da autoria de Gaspar Ferreira e Manuel da Silva; também a Bíblia Hebraica, dita «Bíblia de Abravanel», mas desta feita a folha 384v (decorações micrográficas finais); um pormenor da coroa sobre o «emblema» da Teologia, na Sala 3 da Biblioteca, da autoria de Gaspar Ferreira (talha) e Manuel da Silva (douradura); e a Bíblia «atlântica» (atrib. Estrasburgo, séc. XII), Tábuas dos Cânones Evangélicos.
Segundo os CTT, esta emissão filatélica celebra “o património cultural e arquitetónico de Portugal e levam-no além-fronteiras, através daquela que já por várias vezes tem sido apontada por organismos nacionais e internacionais como a «biblioteca mais bela do mundo»”.



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quarta-feira, 15 de novembro de 2017


Conto de Miguel Angel Fernandez (1948-2017)

Foram três os que saíram de repente da escuridão da obra em construção e dois a agarraram. O terceiro andava na frente, reconduzindo-os até o abandonado casebre do vigia. Mão na sua boca; voando entre os braços deles; fechou os olhos; permaneceu com eles fechados, mesmo quando voltou a sentir o chão sob os pés, e o calor da luz de uma vela sobre seu rosto.
- Babacas! Não é ela! Puta que o parió!
- Tem certeza?
- Tá me gozando? Não conheço a pilantra? Isso que dá junta de pentelhos.
- Merda, cara! Fazê o quê agora?
- Manda a dona embora, moleque.
- Pra caguetar a gente? Se reconhecé depois?
- Fazê o que, neguinho? Já fodeu. Vai matá?
- Sei lá. Por aí.
- Xápralá, vai. Melhor abandoná o campo e dá o fora.
- Quem garante que a velha não vai dá a ficha da gente?
- Ela vai? Aí, dona. Nem abre os olhos. Tá vendo alguém? Não, tá certo? É assim que vai ser. Não viu nem aconteceu nada, tá bom? Simbora, pentelhinhos, deixa ela aí.
- E a pistoleira? Se ainda aparecer?
- Fóda-se. Outro dia. Por hoje chega, mermão. Sujou. Fechou o expediente. Vamo’nessa.
- Tonce. Como é que é? Apago a velha?
- Neguinho. Tô falando com quem, caralho? Falei, va-mo-ne-ssa, porra! Tá vendo não, pivete, que a dona aí não tá com nada? Nem percebendo o que acontece.
- Sei não, bicho, periga cair em cana causa duma dona dessas. Posso usar a faca. Rapidinho. Sem barulho, nem nada.
- Olh’aqui, neguinho. Quem manda nesta merda? Tamo junto nessa, ou não? Que foi que eu falei?
- Tá limpo. Fica puto, não, Líder. Tá legal. Só não entendo as firula por causa duma dessas’aí. Pô, nem estrupo, nem nada? Assim, sem lucro. Eu tó na maior pendura, cara. Afim de comer a velha. Tu não, Gordo?
- Até comia.
- Tá vendo? O Gordo tá comigo.
- Tu também, Gordo? Puta que o pariu!
- Que "comia". Não que "matava".
- É rebelião dos pentelhos, é? Olh’aqui, se a gente comê a muiê, aí é que piora. Se deixar queto, vai dedar o quê? Se ela chamá os tira, vão até gozar na cara dela. Sacaram? Fica o dito pelo não dito. Só o susto e a corrida. Ninguém aprontou nenhuma. E tu, sua merda, fica de olho fechado que não mandei abrir! Tá querendo morré?
- Tá sim. Tá provocando.
- Tetão tem aí a velhinha, heim? Deixa passá a mão.
- Tá legal, se quiser comê, come. Eu tó fora e me evadindo do local. Noite de merda! Puta que os parió!
- Quanto fuzuê por uma dona dessas, porra. Tem coisa que nintendo que se passa na cachola desse cara.
- Passa, neguinho babaca, que eu bolei a jogada e a bola é minha. Tá ligado? Por que é de lei homem se vingar d’uma filha da puta que te mete os corno com teu pai, enquanto a gente tá dormindo no xilindró. Não vim cá pra matar gente que nunca vi, neguinho. Saco cheio dessa merda. Tá ligado? Então? Já falei. Tó em curso. Adiós, galera. Os moleque façam o que quisé com a dona. Se estupra, mata, é com vocês. Nem conheço a banda. Indo!
- Onde cê vai? Caralho, cara chato! Peraí, Líder, só uma trepadinha, cinco minutinhos. Três! Só isso. Não é mais pra sangrar, não! Né, Gordo? Vá lá, fala com ele.
- Eu não. Vai tu.
- Gordo bundão!
- Não enche o saco, neguinho. Pega logo na velha e vamo’nessa.
- Começa aí, vai, Gordo. Eu seguro o bagulho.
- Depois de tu.
- Gordo bundão! Até parece veado.
- Tu é cú mesmo, heim, baixinho! Dando onda e depois fica enchendo. Fôda-se! Tá ligado? Come sozinho a velha.
- Ué! Vai embora, Gordo? Peraí, galera! Porra, assim num dá. Vou comê a muié sozinho? E qual a graça? Quem vai segurar o bagulho? Volta aqui Gordo puto! São uns veados. Saco! E a culpa é tua, velha filha da puta! Posso te cortar, se eu quiser, tá sabendo? Aquele panaca não t’aqui pra te defender, velha escrota. Tá sabendo? Vai se preparando que vô te comê. Se abrí a porra desses olho, aí que tu vai conhecé quem te mata. Sem um pio, sarnenta! Vá logo com isso! Levanta as sáia e tira as calcinha. Vira aí, bota as mão na parede e põe o rabo pra fora. Abre essa bunda. Aííí, bundão gostoso tem a velha. E grita não, putona! Olha aqui a faca. Isso, assim mesmo que gosto. Gemer pode, que eu gosto, mas baixinho. Gostoso. Tá gostando, puta? Diz que sim! Se mexe, bruxa! Assim, assim que vou gozar. Vou gozar. Tô gozando, putona. Ah, coisada boa! Ah! Ei, essa é minha faca! Me dá ela aqui, velha escrota. Ai, caráio! Viu o que fez? Olh’aqui, tu me cortou a feize! Xi, vou te matar, filha da. Ai, porra, que tá fazendo? Ai! Mas. Peraí, velha! Pára com isso. Não empurra! Ei, tu me derrubou, sua vaca! Quer me matar, velha louca? Me dá essa faca que te perdôo, vai. Ai, minha mão! Que é isso, dona, cortou os dedo! Sai de cima de mim, filha d’égua! Sai! Ai! Galera! Gordo! Acode que a louca tá me matando! Ai! Mas. Mas, que merda. Pára, muié. Pára com isso, porra! Pirou. Ai, abre a porra desses olhos pra tu ver. O sangue no peito! Olh’aqui! Tá vendo? Ai, não tá vendo que. Que. Que tá me matando. Pára. Louca. Velha. Mãaaaae!
Ela levantou e jogou a faca sobre o corpo ainda estertorante.
- E, velha, é essa filha da puta de tua mãe, neguinho escroto!
Depois de se arrumar e chutar na cara do morto, saiu do casebre. Limpou o sangue dos sapatos mergulhando os pés numa poça de água. Quando chegou em casa, o primeiro que fez foi olhar-se no espelho.
- Velha, eu heim? Ainda dá pro gasto, viu? Moleque safado. Tsc!
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terça-feira, 14 de novembro de 2017


A mulher estava sentada em uma cadeira de praia debaixo de um guarda-sol. Usava óculos escuros e lia um romance.

Apareceu um homem em sua frente e começou a encará-la.

- Posso ajudar?

Ele continuou encarando.

De repente ele pegou o livro de suas mãos.

- Por que você fica aí, enfurnada nesse livro, de óculos escuros e chapéu de palha, longe de tudo e de todos quando estamos todos aqui, querendo um pouquinho de conexão humana? Por quê?

Ela ficou assustada. Levantou-se e tentou pegar o livro da mão do desconhecido.

- Mas que... Me dá isso aqui!

- Vai ler no banheiro, que é quando não tem ninguém, só você e a privada. É o que eu faço. É o que toda pessoa em sã consciência deveria fazer.

Ele teve um acesso de raiva. Rasgou o livro em dois. Atirou uma metade no mar. Jogou outra para cima, que caiu em cima de sua cabeça.

O homem desmoronou no chão com o impacto da metade do livro em sua cabeça. Começou a gritar e chorar no chão. A mulher ficou sem reação. Não sabia se fugia por conta das outras pessoas que agora estavam olhando para eles e aglomerando-se para ver o que estava acontecendo, se tentava ajudá-lo a se levantar ou se gritava com ele por ter rasgado seu livro.

- Moço? Moço, cê tá bem?

Ele estava agora só chorando. Parara de gritar e espernear.

Muito lentamente ele se levantou enxugando os olhos. Virou-se para a mulher com um olhar triste. Começou a chorar de novo.

- Fala alguma coisa que eu possa fazer, pelo amor de Deus.

- Nada, não tem nada.

As pessoas começaram a se dispersar.

- O Joca morre no final – disse e deu uma baita de uma risada.

Virou-se e começou a correr.

- Filho da puta! Vem aqui que você vai ver! – ela começou a correr atrás do desgraçado, mas ele era muito rápido e ela se cansou logo.

Voltou para seu guarda-sol. Pegou a metade do livro que estava na areia. Era a segunda metade. Já tinha lido a primeira. Pelo menos isso.


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017


Microcontos de Gustavo do Carmo



Bom pra tosse
— Você vai ver o que é bom pra tosse. Disse o médico, procurando um remédio na sua farmácia para o paciente que não parava de tossir.


Acordado
Acordou pra Vida. Ela precisava lhe dar um remédio. 

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

João Paulo Mesquita Simões







Foi com grande pesar que todos nós recebemos a notícia inesperada do falecimento de Miguel Angel Fernandez.

Foi através dele, que comecei a escrever neste blogue. Além disso, e porque a virtualidade é o oposto da realidade, o Miguel não era só mais um amigo virtual. O Miguel, entrou em minha casa pela Internet, via então MSN, onde, juntamente com sua esposa, cantaram, tocaram para minha filha, na altura com 4 anos.

Depois, veio a "Cena Muda", "As Moscas", romances que acompanhei, que o Miguel me ia enviando por e-mail e que até me chegou a enviar ["A Cena Muda"] com uma bela dedicatória.

Foi um choque para mim, receber aquela notícia. Ainda poucas semanas antes, tínhamos trocado e-mails.

Guardo num dossier, todos os poemas, prosas, e pensamentos de Miguel Angel Fernandez. Será essa a minha mais pura recordação daquele escritor, poeta, dramaturgo, "homem dos sete ofícios", como eu lhe chamava! E que ele sabia que eu o tinha, para quando se proporcionasse a vinda dele a Portugal, "ver esse dossier que você tem", como ele muita vez me dizia, passarmos um bom bocado de umas férias que nunca chegaram a acontecer

Perdeu-se um homem da Cultura Argentina e Brasileira. Perdeu-se um homem bom.

Todos nós ficámos mais pobres e o "Tudo Cultural" também, embora ele já aqui não publicasse.

Foi a primeira vez que este blogue perdeu alguém para todo o sempre.

Descansa em paz, Miguel! 
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quarta-feira, 8 de novembro de 2017


Por Miguel Angel Fernandez - in memorian

Da primeira vez que falou, alguém gritou: "Pára com esse berreiro, garoto!"
Da segunda vez disse alguma coisa, e ouviu gritarem: "Vai pra escola e aprende a falar, moleque!"
Depois, toda vez que falava, ouvia dos outros:
"Que tá falando menino? Cala a boca que é muito criança!"
Então trocou palavras por assobio:
Logo de madrugada na ponta do bico, o assobio despertava com ele.
"Pára, que não ouço o galo cantar!" - a mãe no quarto.
E o papagaio, ciumento cordial, imitava no bico, tentando o assobio.
"Pára, que vai confundir o coitado" - a mãe na cozinha.
Ela dizia o tempo todo: "menino, pára que vai chamar as galinhas"
Mas o garoto não queria parar. No assobio, o cantar e o falar.
Se perguntar, ele respondia com assobio.
Se cantarem, ele, assobiante, a acompanhar.
Se pensar, nem pensar!
Que o ressabio confundia o assobio. "Menino pára com esse ruído que não ouço o leite a ferver!"
Mas que biquinho magoado é esse na boca do constante assobiador?
"Mas o assobio não era um pequeno vento com música?" - pensava o menino.
Vento pequeno traz tempestade.
E a mãe gritava tempestade:
"Menino, pára com isso e fala!"
Para quê, se assobiando falava melhor?
"Que algazarra! Sai já daqui!"
Então pegou desgosto, pegou assobio que ninguém gostava, e foi-se embora!

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terça-feira, 7 de novembro de 2017


Ele não estava apaixonado por ela. Não se permitia deixá-la saber o porquê de continuarem juntos naquele apartamento. Talvez ele nem saiba. Ainda.


A senhora saiu do apartamento e ficou paralisada. Não sabia o que estava fazendo ali. Quem era. Onde estava. Apenas ficou ali. Parada. Desesperada por dentro.


O homem deixou sua mulher na porta da academia e foi trabalhar. Ao voltar para casa deparou-se com sua vizinha parada, olhando para o nada, em cima do capacho. Ao passar pela vizinha disse um boa noite baixinho de praxe e entrou em seu apartamento.


“Nossa amor, para de ser tão insensível. Ela era uma mulher tão bacana. Coitada.”

“Tá, então me diga: quantas vezes você conversou com ela nesse tempo todo que você tá morando aqui?”

“Ah... Eu não sei, não sei. Mas isso não é importante. Não deviam ter internado ela. Coitada...”


Subiam no elevador.

A loira do último andar o olhou com segundas intenções.

“Oi.”

“Oi”, ele respondeu.

Ele olhou para cima, como todos quando estão dentro de um elevador.


“Acabou o café.”

“Foda-se”, disse ele.

A mulher arregalou os olhos.

“C-c-como é que é...?”

“É isso aí. Tô pouco me fodendo pra porra do café.”


Brigaram. Ela o expulsou de casa. Ele entrou num bar e pediu uma caixa de cerveja. Enquanto ele tomava a primeira, as outras foram perdendo o gelo.


Não implorou para voltar.


Bateu na porta da loira. Ela atendeu.


Em todos os anos em que os três moraram no mesmo prédio, encontraram-se no elevador apenas três vezes. Mas todas as vezes que um deles apertava o botão, torciam para que os outros dois não estivessem lá dentro.


A senhora nunca mais saiu do asilo. A ex-mulher nunca foi visitá-la, mesmo dizendo que iria.


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017



Conto de Gustavo Carmo

Arlindo conheceu os dois em uma oficina literária. Para quem não sabe, oficinas são os cursos de aperfeiçoamento de escritores. Lauro é um senhor de cabelos grisalhos, rentes à cabeça, muito simpático e brincalhão, apesar da aparência séria e da sua fala serena e pausada. Luciana, morena clara, cabelos cacheados e lábios carnudos. Aparenta ser um pouco antipática pelo seu jeito fechado e sério. Mas é apenas uma pequena timidez que vai se perdendo quando conhece melhor as pessoas que a procuram. Lauro e Luciana são pai e filha.

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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Por dudu oliva





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Pela primeira vez em sua história, o Tudo Cultural perde para sempre um dos seus colaboradores. Miguel Angel Fernandez, argentino radicado em São Paulo (que ele amava), que postou seus controvertidos textos de 2008 a 2011, morreu na madrugada desta sexta-feira, em consequência de um infarto que sofreu há uma semana.
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quinta-feira, 2 de novembro de 2017



João Paulo Mesquita Simões







 Os CTT - Correios de Portugal lançaram nos dias 19 e 20 de Outubro, duas novas emissões filatélicas, "Cidades Criativas da UNESCO - Idanha-a-Nova e Óbidos". A UNESCO atribuiu em 2015 às vilas portuguesas de Óbidos e Idanha-a-Nova, a distinção de "Cidades Criativas", pelo desenvolvimento sócio-cultural que estas localidades conheceram nos últimos anos, levando muitos turistas a visitarem e participarem nos festivais literários de Óbidos, e nos festivais de música de Idanha-a-Nova.

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terça-feira, 31 de outubro de 2017


Dois homens estavam sentados em um banco de parque, tomando café e conversando.

“Sabe, tenho lido algumas matérias e tem muita gente dizendo que não aguenta mais lerem livros em que o narrador faz perguntas ao leitor, ou quando brinca com o texto, ou usa figuras de linguagem demais.”

“É mesmo! E não é só com os livros que isso acontece. Dizem que no cinema tem adaptações demais, que o filme é sempre ruim, o original é melhor, e isso, e aquilo outro... Por que não vão pra...”

“Não, não, não, não! O pior é que tem que comentar em todas as redes sociais possíveis, falar pra Deus e o mundo que não gostaram do que leram ou ouviram ou assistiram.”

“Agora me responde uma coisa, quem mandou ficar lendo ou assistindo? Será que o autor tinha um porrete do lado e ficava repetindo: ‘Lê! Vai, continua a ler! Vamos!’ É um absurdo!”

“Parece que preferem passar o tempo criticando aquilo que não gostaram do que apreciando o que gostam.”

“É!”

“É!”

Os dois finalmente perceberam que estavam falando alto, até esbravejando. Então um sussurrou ao outro, quando as pessoas que estavam olhando assustadas começavam a retornar ao que estavam fazendo.

“Acho somos nós é que estamos fazendo isso, não é?”

“Pior...”

Ficaram em silêncio por alguns minutos focados em seus cafés. Depois retornaram a conversa.

“Mas e então, como foi o fim de semana?”

“Nossa... Horrível! Minha sogra apareceu e aí...”


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 30 de outubro de 2017



Crônica de Gustavo do Carmo

No último dia 15 teve início mais um Horário de Verão. O adiantamento do relógio em uma hora, de outubro a fevereiro, ocorre no Brasil, ininterruptamente, desde 1985, com o pretexto de economizar energia nas horas de pico durante o verão.

Acontece que, pela primeira vez, em 32 anos, o horário especial anual foi ameaçado de não ser adotado. O Operador Nacional do Sistema (ONS) concluiu que o uso de aparelhos ventiladores e de ar condicionado anula a economia proporcionada por mais luz natural nos horários de pico (das 18 às 22 horas) e pediu que o presidente da República, Michel Temer, autorizasse o cancelamento.
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quinta-feira, 26 de outubro de 2017




João Paulo Mesquita Simões






Em 1934 a Companhia de Jesus estabeleceu em Braga o Instituto Beato Miguel de Carvalho para o estudo da Filosofia. Em 1947, o Instituto foi elevado a Faculdade Pontifícia.

Em 1967, o decreto da Santa Sé Lusitanorum nobilissima gens, de 13 de outubro de 1967 instituiu esta faculdade como Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa. Foi a primeira faculdade da nova universidade que, em 1968, prosseguiu a sua expansão através da Faculdade de Teologia, em Lisboa.

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terça-feira, 24 de outubro de 2017


“Escuto música todos os dias. Tento descobrir um artista novo todos os dias. De preferência um que saia do meu eixo Brasil/Estados Unidos/Inglaterra. Nem sempre isso é possível e acabo apenas com as figurinhas repetidas mais preciosas. Acho que desde que comecei a realmente ir atrás de música (não como talvez a maioria das pessoas fazem, são passivas e só escutam música se estiver tocando, e não se importam muito)... É... Eu não passei um dia sem escutar pelo menos algumas. Pra mim é tão importante como água, comida e sono. O problema é querer escutar tudo que eu quero escutar e acabar não conseguindo. Quando uma música boa começasse o tempo deveria parar.”

As pessoas ao redor começam a bater palmas.

“Obrigado, obrigado...”


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 23 de outubro de 2017



Conto de Gustavo do Carmo

Entrou na nave da Igreja da Glória. Linda em seu vestido de seda indiana, decorado com cristais Svarowski importados diretamente da Áustria, renda grega e véu de um quilômetro de comprimento. Shaiane estava se casando com um bilionário goiano de família libanesa e iria se mudar para São Paulo depois da lua de mel na Dinamarca.
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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

João Paulo Mesquita Simões







O meu Amigo e filatelista Mário Paiva, publicou este artigo no seu blogue, que passo a transcrever:

No dia 27 de Outubro o Clube Filatélico de Portugal comemora os seus 74 anos de existência, pois foi nesse dia do ano de 1943 que foi aprovado a Alvará do Governo Civil de Lisboa, da criação do clube, embora as reuniões para a sua formação tenham começado muito antes. Foram muitos os nomes de coleccionadores dessa altura que foram os sócios fundadores, e entre eles estava Dias Ferreira, um dos grandes nomes da filatelia portuguesa.

No dia 28 deste mês o Clube Filatélico de Portugal celebra este aniversário com a realização do "10º Troféu Comendador Dias Ferreira", uma mostra filatélica de "Um Quadro", em que os coleccionadores presentes vão expor as suas colecções e trabalhos filatélicos. Neste mesmo dia haverá o jantar comemorativo do aniversário, onde serão entregues as medalhas de 50 e 25 anos de associados, os "Selos de Ouro" e os Diplomas de participação no "Troféu Comendador Dias Ferreira", um jantar que se realiza no Hotel Travel Park, em Lisboa, bem perto da sede do clube, como vem sendo hábito nos últimos anos. O programa e menu pode ser consultado no site que deixei aqui no texto.

Acabou de chegar o «Boletim do Clube Filatélico de Portugal» nº 455/456, referente a Março/Junho, uma publicação gratuita para os sócios. Está como sempre uma publicação de grande qualidade, com vários artigos de história postal e especializados, de que destaco «Correio Aéreo de Moçambique - O avião "Moçambique" do Aero Clube de Lourenço Marques», de Eduardo Barreiros e Luís Barreiros, o «Correio marítimo brasileiro in Memorian de Paulo Comelli», de Luís Frazão, «O mistério das Reimpressões, denteado 11 1/2 ditas Reimpressões de 1900», de Claudino Pereira, e «Os carimbos ovais do correio registado 1852-1970's», de Paulo Rui Barata, entre outros artigos de grande interesse. 









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terça-feira, 17 de outubro de 2017


“Bom dia a todos!... Hã? Não posso falar bom dia? Por que não? Ué, mas qual é o problema se a pessoa não estiver ouvindo isso de manhã? Ah, para com isso. Deixa de pegar no meu pé. Eu quero falar bom dia. Eu gosto de desejar um bom dia para as pessoas. Olha só: Tenha um ótimo dia! Não é bom?”

“É lógico que é. Mas...”

“Tá, tá bom, eu falo olá. É que olá é tão sem graça. Olá. Olá... Você está me entendendo? É tão nhé, sabe? Ah, deixa, vai... Por favor... Não mesmo? Eu não quero saber. Vou falar bom dia! Pega esse teu olá e enfia no--”


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 16 de outubro de 2017


 Decidida, Clara ligou para a amiga geneticista e confirmou:

— Geni, eu decidi. Vou fazer aquela inseminação mesmo. Tá confirmada! 
— Ok, minha amiga. Não vou nem perguntar se você tem certeza. Só uma coisa: e quando ele perguntar pelo pai?
 
— Ah, Geni, isso eu ainda não sei. Digo a verdade, ou apresento um rapaz qualquer. Ah, sei lá! Agora eu só quero mesmo ser mãe.
 
— Está bem. Então, amanhã você aparece aqui às nove.
 
— Combinado.

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quinta-feira, 12 de outubro de 2017


João Paulo Mesquita Simões






 A Região Autónoma, a Madeira é considerada um jardim, situada a sudoeste de Portugal.

Composta por duas ilhas povoadas Madeira e Porto Santo, ainda tem outras cinco de nome Desertas e Selvagens, uma, sazonalmente habitada.

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terça-feira, 10 de outubro de 2017


Dois rapazes estão sentados em uma mesa almoçando. O primeiro olha para o outro e diz:

“Então, é aquilo que eu estava te dizendo, cara... Dor é para os fracos. Quebrei a perna duas vezes, mas estou aí...”

O segundo olha para ele e diz:

“Pois, é. Você é forte, e eu sou fraco. Sabe por quê? Porque eu fujo da dor”, dá um sorriso amarelo. “Parabéns, fortão! Se quebra todo, mas continua aí, firme e forte.”

O primeiro faz cara feia.

“Idiota”, diz baixinho.

Eles voltam a comer.


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 9 de outubro de 2017


Manguinhas
Botou as manguinhas de fora. Fez o maior sucesso no desfile de moda.


Vestido grená
A vizinha quando passa com seu vestido grená... não acontece nada. 

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

por dudu  oliva





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quinta-feira, 5 de outubro de 2017


João Paulo Mesquita Simões










5 de outubro de 1910.


José Relvas, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, proclama a República, terminando assim a Monarquia em Portugal.


Quem foi José Relvas?

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terça-feira, 3 de outubro de 2017


Fui tentar jogar bola. Me botaram no gol.


Meu celular quebrou e eu estou postergando comprar outro.


No dia que eu me aposentar, vou comprar uma máquina de fazer sorvete.


Dou abraços em todo mundo. Queria que alguns fossem mais longos.


Acerto uma, erro duas. É a vida.


Li um livro que não queria ler. Tenho que fazer isso mais vezes.


Por Lucas Beça
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segunda-feira, 2 de outubro de 2017



Conto de Gustavo do Carmo


Situação 1

Numa festinha de aniversário infantil, o tio do menino aniversariante surge acompanhado de uma bela mulher. Logo, é avistado por uma de suas dezenas de primas, acostumadas com a sua solidão. Numa oportunidade em que a sua acompanhante foi ao banheiro, a prima se aproxima e pergunta:

— Oi, Heitor. Quem é a moça bonita que está com você? Sua namorada?
— Não. É uma amiga.
— Amiga! Sei! Ela diz, maliciosa.
— Não. É amiga mesmo. Ela não quer nada comigo. Prefere homens mais bonitos e ricos. 

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quinta-feira, 28 de setembro de 2017


João Paulo Mesquita Simões






A 17 de julho de 1717, na presença do Reitor Nuno da Silva Telles, foi colocada a primeira pedra da Casa da Livraria, a mesma que viria a ser conhecida por Biblioteca Joanina.

Tudo acontecia na sequência de um pedido deste reitor dirigido ao Rei,um ano antes, para que a Universidade de Coimbra fosse dotada de uma biblioteca adequada e digna.

Hoje, foi lançada uma emissão filatélica composta por dois selos (no alto e abaixo), alusivos à efeméride.



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terça-feira, 26 de setembro de 2017


- Olha só como ela é sexy. Olha como ela te olha. Olha só.


Passou a virar zumbi de manhã quando começou a acordar cedo.


Perdeu para o lanterna, depois para o vice lanterna, depois para o ante penúltimo. Depois de 10 rodadas, você sabe o que aconteceu.


Bateria fraca. Todo dia. Toda hora.


Não tenho mais paciência. Agora apenas ignoro a pessoa e deixo ela falando sozinha.


Era uma péssima atriz, mas convencia muita gente.


Por Lucas Beça
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